segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

105 - 2018


A Arquitectura é o resultado de um tempo e de um lugar, do encontro da cultura com a natureza. As circunstâncias regionais estão por isso presentes, de alguma forma, na composição e recepção das obras de Arquitectura. É certo que todas as regiões da Península Ibérica desenvolveram um “carácter próprio”, com diferentes modos e valores. Mas de entre elas o caso da Galiza será talvez aquele onde uma “cultura arquitectónica regional” mais se prolongou, até chegar quase aos nossos dias.

Este livro é um possível estado da arte sobre a Arquitectura do século XX na Galiza. Começou a escrever-se há cerca de 20 anos, como Dissertação de um Mestrado pré-Bolonha – o 2º curso em Cultura Arquitectónica Contemporânea e Construção da Sociedade Moderna, que oferecia a Faculdade de Arquitectura da então Universidade Técnica de Lisboa, coordenado pela Professora Maria João Madeira Rodrigues. O trabalho apresentou-se em 2002 e decorreu com a preciosa orientação do Professor António Jacinto Rodrigues, já conhecido da Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, onde nos formámos 6 anos antes. Mas nessa altura não havia ainda praticamente internet e portanto a investigação tinha contornos muito diversos dos que conhecemos e estamos hoje habituados, sem a confirmação do google.

Fez-se portanto uma revisão do documento original, que contudo nada ou muito pouco o alterou. Somente questões formais, retiraram-se todas as notas de rodapé e actualizaram-se as partes de texto com referências temporais. De facto, a reflexão que nestas páginas se encontra mantém-se válida no seu conjunto, nas partes e no todo. Embora erudita, é uma leitura pessoal, pelo que pode interessar tanto à comunidade académica como a todos os que gostam de Arquitectura e da Galiza contemporânea, ou que as queiram conhecer melhor, procurando as suas raízes culturais.

Quem aqui escreve apenas acrescenta um olhar ao que foi dito por vários autores, pelo que para eles um primeiro reconhecimento e agradecimento. Estas são palavras extensivas naturalmente à família, à Fundação Serra Henriques, aos colegas e também aos alunos de Arquitectura, em especial os desta região, que a eles se dirige igualmente este livro. Para que saibam preservar e dar continuidade a uma rica cultura arquitectónica, marcada por materiais e processos tradicionais de construir. Façamos aqui esse caminho, para o desenvolvimento económico e ambiental do seu território.


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