sexta-feira, 25 de março de 2016

15.4 - A Carta de Sintra *


O XVI Congresso Ibero-americano de Urbanismo, que decorreu na deslumbrante vila de Sintra, teve uma participação empenhada, expressa nas 67 comunicações apresentadas e animadamente debatidas. A Comissão Científica, com base nos temas e conteúdos das comunicações e atenta às observações e reflexões críticas dos participantes nas diversas sessões de trabalho, redigiu uma síntese das ideias que se apresentam como resultado conclusivo do Congresso e que se divulgam sob o título “A Carta de Sintra”.
Em boa parte, o texto constitui-se como uma recensão dos trabalhos apresentados ao Congresso. A melhor homenagem que podemos prestar ao Prof. Manuel da Costa Lobo e ao Professor Garcia de Enterría não pode ser outra que não a perpetuação do conhecimento das suas ideias, o estudo e a reflexão sobre os textos e o exemplo que nos legaram. Num gesto simbólico, e que convida à leitura das obras originais, transcrevemos dois excertos de obras dos mestres.

No meio de todos estes aspectos sectoriais lá está o PDM…O PLANO!” (…) “o que é discutido é a matéria de cada um dos estudos e das propostas sectoriais, com todo o peso que a prevalência do saber especializado confere aos serviços e às suas propostas ditas específicas… Só há uma matéria que não é discutida, nem abordada: é o PLANO!! É porque ele é a PEDRA! De facto, quando se vai comer a sopa da pedra deixa-se sempre a pedra, só se come o que está à volta. Da mesma forma, para debater os PDM só se analisam as análises sectoriais, jamais os conceitos de Síntese e as propostas genéricas do Plano. Parece até que ninguém sabe como discutir o Plano. Ou talvez nem se saiba o que é, afinal, o plano! Ou será que se adopta um conceito aditivo, em que o Plano não é mais do que a soma dos estudos sectoriais?
Aqui, como urbanistas, cabe-nos denunciar tal conclusão, o Plano deverá ser PLANO! Isto é, o Plano deverá ser a Síntese, ainda que estando em construção todos os estudos sectoriais como componentes indispensáveis. Só que é preciso saber dar o salto, com intuição, criatividade, humildade, testando as métricas das alternativas encontradas e finalizando por aquela mais favorável, na sequência de uma avaliação multi-critério e uma opção transdisciplinar. Neste caso o PDM seria um Plano de plano directo e não a pedra da SOPA DE PEDRA…”
“A tragédia maior está em que muitos dos urbanistas ainda ligam à noção de plano mediante a entrega de um volume com peças desenhadas e escritas, nomeadamente um Regulamento de Zonas, a entregar aos municípios após o que o trabalho acabou. Não há uma consciência clara de que o urbanismo deverá ser um processo permanente, sem o que se compromete o próprio plano, que implica, vigilância/monitorização, ajustamentos, lançamentos de estudos de aprofundamento, revisões, avaliação de alternativa perante novas circunstâncias e oportunidades”.

Todo el territorio nacional y cualquier parcela del mismo es o suelo urbano, o suelo urbanizable, o suelo no urbanizable, como luego veremos, lo cual determina decisivamente todo su régimen de uso.¿Como hay que cualificar esa acción pública tan extraordinariamente relevante sobre la propriedad privada? ¿Ante que figura dogmática nos encontramos?”
“La vigente Ley califica formalmente al Plan General Municipal” (…) “como 'instrumento de ordenación integral del território'. El origen de esta calificación está evidentemente relacionado con el propósito de cortar el paso a la prática fraudulenta” (…) ”de obviar las exigências de los instrumentos generales de ordenación por vía de la ilegítima extensión del contenido y función de los Planes Especiales”.

* Excerto da introdução d' A Carta de Sintra, por Sidónio Pardal, editada com o apoio da Fundação Serra Henriques, que inclui duas citações, em jeito de homenagem a Manuel da Costa Lobo e Eduardo García de Enterría.
 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

CASU 14 - Primavera / Verão de 2015


No último dia antes de férias, publica-se mais uma edição dos CASU's, a décima quarta, número que junta pela primeira vez duas estações, fechando talvez um ciclo. São 7 dezenas de mini-artigos que se encontram agrupados nos 4 temas habituais: Arquitectura, Espaço Público, Urbanismo e Ordenamento do Território. A orientação académica que desde o início marcou este blog será talvez ainda mais aprofundada a partir de Setembro, com outra perspectiva e continuidade.

Neste número estão os resumos de três dissertações de Mestrado concluídas recentemente na Escola Superior Gallaecia, de Jorge Martins e Rubén Alves Misa, em que participei enquanto membro do júri, e de Roberto Pérez Boga, que tive o prazer de orientar, na sua etapa final. Completa-se a edição com mais um resumo de um artigo publicado em revista científica na sequência da minha tese de doutoramento, agora em português e em co-autoria com o Prof. José Miguel Fernández Guell, seu orientador na Universidade Politécnica de Madrid.

Mas neste editorial aproveito a oportunidade para destacar, com esta imagem, uma acção de cidadania dos nossos colegas Alexandre Gamelas e Catarina Santos, pela valorização das "barracas do Bolhão", agora que a reabilitação do Mercado parece finalmente avançar. Trata-se de uma iniciativa do blog Old Portuguese Stuff, que a INTBAU Portugal partilha, dando-lhe um carácter ainda mais internacional, que já teve repercussão por exemplo no site Architecture Here and There: http://architecturehereandthere.com/2015/07/29/save-bolhao-market-porto-portugal/

A preservação dos valores clássicos e populares que mostram estes pequenos pavilhões interiores do Mercado poderá ser incluída no projecto apresentado pela Câmara Municipal do Porto, mantendo-se assim o seu carácter singular, de um património arquitectónico que herdámos e devemos valorizar. A petição é pois somente uma forma de abrir um debate útil para a sociedade e a cultura arquitectónica em Portugal.
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT77853


terça-feira, 28 de julho de 2015

14.1 - Arquitetura Religiosa: a adequação da solução arquitetónica atual ao rito litúrgico

por Jorge Martins *


Em 1962, o papa Pio IX convocou o vigésimo primeiro concílio da Igreja Católica, denominado como Concílio Vaticano II. No essencial, este concílio visava uma modernização da Igreja através da reintrodução de aspetos litúrgicos, que se tinham perdido ao longo dos tempos. O eixo principal desta reforma é a centralidade da eucaristia e a participação ativa do povo e, como forma de operacionalizar estas alterações litúrgicas, são produzidos vários documentos, concretamente na abordagem arquitetónica, é publicada a Constituição Sacrosanctum Concilium, sendo este o documento que rege, coordena e orienta a nova conceção de espaço sacro.
Neste sentido, esta pesquisa abordou dois pontos (objetivos): identificar os princípios espaciais implícitos na Constituição Sacrosanctum Concilium e quais os reflexos práticos que as mesmas produziram na conceção do novo espaço religioso; observar a adequabilidade da arquitetura religiosa atual, produzida no Alto Minho, tendo em conta o ritual e simbolismo litúrgico. A metodologia utilizada foi do tipo de investigação do método de estudos de caso (multicaso), baseado na natureza comparativa de três igrejas posteriores ao referido concílio, onde o tratamento da informação recolhida é de origem qualitativa. Os estudos de caso foram selecionados tendo em consideração os seguintes critérios de seleção: territorial; temporal; cultural e autoria.
Desta forma, os espaços religiosos selecionados que contêm as características pré-definidas foram: Capela de Moledo – Caminha; a Igreja da Sagrada Família – Viana do Castelo; a Igreja Nova da Correlhã – Ponte de Lima. A triangulação entre a análise documental, as entrevistas e a observação recolhidas para cada caso permitiu a abordagem interpretativa de toda a informação colhida, correlacionando os resultados da análise comparativa com a fundamentação teórica.
Assim, esta pesquisa indica a tendência de que a arquitetura religiosa atual não cumpre na íntegra as normas constantes nos documentos eclesiásticos, ainda assim, a nova conceção do espaço religioso salvaguarda as normas primordiais que fomentam a participação ativa, sendo esta a grande aspiração da revigorada liturgia. Desta forma, a centralidade do presbitério, o despojamento ornamental no interior e a comodidade física e sensorial dos fiéis evidenciam-se como os pilares sobre os quais fica expressa a funcionalidade do templo atual.


* Mestre em Arquitectura e Urbanismo pela Escola Superior Gallaecia (2015). Resumo da sua Dissertação de Mestrado, sob a orientação da Professora Mónica Alcindor.

Ilustração de http://oblogdocalo.blogspot.com. Pormenor da Igreja da Correlhã, Ponte de Lima, obra do Arquitecto Luís Teles.

14.2 - A problemática das medianeiras. Rehabilitación urbana no entorno da Colexiata da Peregrina


por Roberto Pérez Boga *
 
A preocupação com as ruturas que as paredes das empenas provocam na paisagem urbana é o ponto de partida para a presente dissertação. Estas ruturas urbanas, que nalguns casos estão tão banalizadas que quase se podem considerar como algo de normal, começaram no entanto a constituir um problema pelo seu impacte na imagem da cidade, em muitas situações de difícil ou complicada resolução.
Neste trabalho procura-se investigar as causas para o aparecimento das empenas no âmbito do modelo clássico de urbanização compacta e como em diferentes cidades espanholas procuram resolver esta problemática, integrando essas ruturas urbanas na paisagem (cena) urbana. O objetivo último é apresentar uma possível resposta para o caso concreto da envolvente imediata da “Colexiata da Peregrina”, em Pontevedra, voltando a oferecer-lhe o protagonismo perdido na década de 60, após a construção das empenas dos edifícios da rua Daniel de la Sota.
Para desenvolver a investigação realiza-se um estudo multi-casos escolhendo quatro cidades espanholas, onde se analisam exemplos de empenas e da sua integração na paisagem urbana, desde casos pontuais até atuações a nível global de toda a cidade. Utiliza-se como critério de seleção uma análise qualitativa, tendo como instrumentos a análise documental, a fotografia, a observação e o levantamento arquitetónico no local.
Desta análise das empenas e das ruturas que provocam na paisagem urbana extraem-se uma série de conclusões, revelando que na maioria dos casos os problemas podem resolver-se, ou melhor dito minimizar-se, com uma normativa específica; mas nalguns casos singulares, como na envolvente da Igreja da Peregrina, é preciso a realização de atuações pontuais, através de projetos de reabilitação da imagem urbana. De igual modo, entende-se que se deve evitar o aparecimento de novas empenas consolidadas na cidade, atuando progressivamente sobre as empenas existentes, que constituem já um problema urbano.
Depois da realização desta investigação sobre a problemática das empenas, decide-se abordar o caso concreto da “Colexiata” da Peregrina no centro de Pontevedra, para o que se propõe um projeto de reabilitação urbana, no interior de um quarteirão, visando resolver o problema das empenas criadas com as traseiras dos edifícios dos anos 60. O projeto reflete a imagem de um "órgão de luz", realizado com elementos verticais que servem de cenário de fundo para a Igreja.
 
* Mestre em Arquitectura e Urbanismo pela Escola Superior Gallaecia (2015). Resumo da sua Dissertação de Mestrado, sob a orientação do Professor Rui Florentino.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

14.3 - Vigo: Procesos de degradación y revitalización en el centro histórico

por Rubén Alves Misa *


A lo largo del siglo XX, han aparecido diversos procesos – globalmente- en relación a la rehabilitación de centros históricos, los cuales, a su vez, han producido determinados fenómenos relevantes en cuanto al funcionamiento socio-espacial, especialmente cuando se trata de áreas inmobiliariamente sensibles. Se trata de estrategias fundamentadas en abundante producción teórica, relativa a la revitalización de estos espacios.
En el caso de la ciudad de Vigo, el centro histórico es un conjunto de significativa carga histórica y con un elevado valor como espacio representativo de la ciudad, configurando uno de los núcleos centrales de la misma.
Desde inicios del siglo XX, el crecimiento urbano ha producido alteraciones en la morfología urbana del Casco Vello de Vigo, generando una percepción despreciativa de su envolvente, complementada por la crecente degradación socio-espacial. Posteriormente, entre finales del siglo XX e inicios del siglo XXI, se ha incrementado la preocupación por la conservación del conjunto histórico, debido al elevado estado de degradación y abandono.
Aparecen así, una serie de principios de intervención para la rehabilitación y revitalización del centro histórico, en las cuales algunos autores, han identificado el avance de problemáticas propias de la gentrificación.
Durante este trabajo, se pretende analizar de forma evolutiva, el desarrollo socio-espacial del Casco Vello de Vigo, con el objetivo de obtener datos, tanto a nivel cualitativo como cuantitativo, capaces de encuadrar los efectos de las acciones de rehabilitación y revitalización, relacionándolas con procesos asociados como la gentrificación.

 

* Mestre em Arquitectura e Urbanismo pela Escola Superior Gallaecia (2015). Resumo da sua Dissertação de Mestrado, sob a orientação do Professor David Leite Viana.

14.4 - A governação de territórios metropolitanos. Contexto institucional e de planeamento *


por Rui Florentino

Em resposta aos desafios atuais de muitas grandes cidades, o contexto institucional e o planeamento territorial formam dimensões para melhorar a governação metropolitana. No quadro das regiões capitais do sudoeste europeu, quais poderão ser as inovações e diferenças nos seus modelos e processos em curso? Este artigo propõe uma investigação aplicada para apresentar a análise da governação metropolitana. Através do método de estudos de caso em perspectiva comparada, vários elementos e entrevistas são ponderados qualitativamente nas regiões de Madrid, Barcelona, Paris e Lisboa.
As conclusões encontram uma tendência para o equilíbrio entre os esforços dessas duas dimensões da governação territorial metropolitana, não impedindo registrar os seus diferentes percursos: por exemplo Ile-de-France desenvolveu boas iniciativas em matéria de planeamento, que então pedem alguns ajustamentos no quadro político, enquanto Madrid teve “menos actividade” nos últimos anos, em resultado da sua grande estabilidade institucional. A região de Lisboa permanece talvez numa “posição intermédia”, com uma dinâmica de evolução pouco previsível. Mas de acordo com este argumento, admite-se que os seus processos podem levar a melhorias graduais no sistema de governação, com o seu próprio percurso, implementando acções que devem respeitar, em particular, a geografia do território.


* Resumo do artigo publicado no nº 2, vol. 7 (2015) da Revista de Direito da Cidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em co-autoria com o Professor José Miguel Fernández Güell, da Escola de Arquitectura da Universidade Politécnica de Madrid. Link para o artigo: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/rdc

Ilustração dos pólos de actividade económica da Área Metropolitana de Lisboa, inserida na proposta de alteração ao Plano Regional de Ordenamento do Território desta região, em 2010.

domingo, 22 de março de 2015

CASU 13 - Inverno de 2015


Já no início da Primavera de 2015, sai este primeiro número do ano, o décimo terceiro. Estamos a voltar ao ponto de partida. Atrasados os CASU, como de costume, mas satisfeitos com a actividade docente e o aumento de possíveis consultas a este conjunto de mini textos de arquitectura e urbanismo. Neste ano lectivo de 2014-2015 as aulas são em todos os ciclos de estudos, no 1º, no 2º, no Mestrado Integrado, e no 3º, de Doutoramento. E outra novidade recente é começar com a orientação de Doutorandos.

Em particular neste 2º semestre, cresceram muito os estudantes estrangeiros. Para além do público habitual de portugueses, espanhóis, angolanos e brasileiros, estão agora presentes alunos dos mais variados países: São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Itália, Turquia, Alemanha, Polónia, Rússia e Líbia. As aulas são uma autentica sociedade das nações, em que se fala português, espanhol e inglês... pelo menos.

Nesta edição dos CASU's apresentam-se dois artigos de colegas da INTBAU Portugal. Na etiqueta Arquitectura, o resumo em inglês da Dissertação de Mestrado da Joana Gonçalves pela Universidade do Minho, "Tradição em Continuidade. Levantamento das quintas da Terra Fria Transmontana e Contribuições para a Sustentabilidade", vencedora da 2ª edição do Prémio de Investigação em Arquitectura Tradicional, promovido bianualmente pelas Fundações Convento de Orada, Antonio Font de Bedoya e Cultural do Colegio Oficial de Arquitectos de León e pela Ordem dos Arquitectos de Portugal. E na etiqueta Espaço Público uma breve reflexão sobre a intervenção do Estado Novo na Alta de Coimbra, do blog Old Portuguese Stuff dos amigos Alexandre Gamelas e Catarina Santos: http://oldportuguesestuff.com

Completo este número com dois artigos que foram também apresentados no passado Congresso Iberoamericano de Urbanismo. O meu e de José Baganha, sobre Comunidades Saudáveis - um velho e novo conceito em Urbanismo. E o de David Viana sobre a transformação morfológica das vilas de Apúlia e Caminha em Portugal e Allariz e Tui na Galiza, com base nas dissertações de Mestrado dos alunos Jorge Fernández, David Correia, Hélder Rodrigues e Silvia Rodríguez. Precisamente na Escola Superior Gallaecia, organizo este semestre as COPI - um ciclo de conferências no âmbito da disciplina de Projecto Integrado e de entrada livre, com a participação de Vítor Oliveira, José António Lameiras, José Baganha, Pablo Peón e Célia Gomes. Boa Primavera.


13.1 - Continuing Tradition: Survey of Trás-os-Montes Farms and Contributions to Sustainability


por Joana Gonçalves *

With the awareness that nowadays architecture faces new challenges, particularly the need of integrated and integrational answers to the socio-cultural and environmental context, it is the objective of this research to develop the knowledge about undocumented examples of vernacular architecture in Portugal, significant information sources about experimental evolution of ancient wisdom. However, less usual types remained unstudied and are today menaced by oblivion: the farms in the north-eastern region of Portugal (Terra Fria do Nordeste Transmontano), characterized by dispersion in a territory commonly associated to concentrated settlements. By their isolation from network infrastructures, these examples are a challenge for contemporary solutions aimed at self-sufficiency, since they are above all dependent from the surrounding resources.
Recognizing that the architectural design interferes in the way of life and the environment, the aim is a critical reading of this heritage, stimulating alternative and innovative strategies that relate to architecture, the man and the territory, seeking greater social, environmental and economic sustainability, while respecting community identity. For this, new interventions should understand the potential of the place, the validity of the identified processes and their weaknesses, looking not only for the continuity but also complementarity, and the safeguard this knowledge, traditionally passed from generation to generation and that still have much to offer to contemporary architecture and life.
We are currently witnessing a paradigm shift in the models of architecture and construction, aware of the need for new responses to a more efficient and environmentally sustainable architecture. However, we are increasingly faced with a universal and globalizing architecture, indifferent to the particularities of the local culture. The challenge imposed to contemporary architecture, and for which this research seeks to answer is how to reconcile local identity with a more sustainable architecture.
This research develops an analysis methodology that is exemplified through its application to a case study. The developed methodology allows the identification and validation of vernacular constructive strategies from territorial scale to construction, understanding the meaning of the forms in conjunction with the means and ways of living through three sequential actions: identification, analysis and systematization.
Thus the proposed method includes both objective assessments - qualitative and quantitative - and subjective assessments, applied in the following stages: 1. Identification and mapping of case studies; 2. Spatial and constructive description through graphic and photographic survey; 3. Quantitative characterization through metric survey and constructive details; 4. Hygrothermal tests; 5. Data collection by interview the inhabitants (or previous inhabitants); 6. Processing and analysis of data collected in the previous phases; 7. Critical interpretation and systematization for later application to the project.
Thermal monitoring was conducted in 9 dwellings and only 2 of which were inhabited. The assessments were made during the two climatic seasons – cooling (summer) and heating (winter). The temperature and humidity registration was conducted with Klimalogg Pro TFA sensors at intervals of 15 minutes and periods of 15 days.
The example of the application of the methodology developed to a case study, the farms of the Portuguese northeast, showed a flexible, dynamic, participatory, socially sustainable architecture that involved the community and meet their needs. It was also rational in the management of local resources, proving itself self-sufficient not only the consumption point of view but also the actual construction and, as such, environmental and economically sustainable. In addition, the hygrothermal tests quantitatively demonstrate the validity of bioclimatic strategies found in vernacular architecture, proving the contribution of passive solutions for greater energy efficiency: good hydrothermal behaviour during the hot season and stable performance during the cold season which, although requiring complementary use of active heating systems, would deliver comfortable temperatures with reduced energy consumption. In addition, these type of buildings show the benefits from the use of some adaptation strategies to the environment, such as: earth and evaporative cooling or transition oriented spaces, offering new opportunities to contemporary architecture.
These structures are disappearing essentially because of political reasons, with the loss of competitiveness of small scale agriculture in global markets and the abandonment of the idea of community in favour of individualism. Its reactivation depends primarily on a change of mindset, which allows taking advantage from the opportunities of the place in integrated strategies, reinterpreting the system of relationships identified in this survey: the network cooperation, sharing of common inputs and the creation of new market dynamics, stimulating local lifestyles.
Above all this research reveals the importance of recognizing the context and the vernacular architecture as part of an ongoing process that provides opportunities for a more sustainable contemporary architecture that simultaneously based on the identity values recognized in existing heritages, stimulating the preservation and reinterpretation.
Although applied to a case study in a specific geographical location, this experience can be replicated in any part of the world, following the proposed methodology, since the vernacular architecture is the result of an experimental evaluation of centuries, marked by rationality in response to specific geographical and cultural context.
So, being a methodological tool of analysis of the " ecosystem " it is applicable as the basis of any plan for contemporary architecture, but is not limited to application to a single project: a sustainable architecture and identity is not a closed solution or outcome, but rather a process, a way of approaching the project, which aims to recognize the vernacular architecture weaknesses to complement and enhance the opportunities through a contemporary reinterpretation.


* Trabalho desenvolvido no âmbito da Dissertação de Mestrado Integrado em Arquitectura da Universidade do Minho, que obteve o Prémio Ibérico de Investigação em Arquitectura Tradicional, na sua 2ª edição: 2013-2014.

13.2 - Fasces *

por Alexandre Gamelas e Catarina Santos, Arquitectos

We recently visited the 1940s-50s wing of the University in Coimbra. It is a very strange place, and one which instills conflicting feelings even to this day. After all, when almost all of Europe was finally free, the Spaniards and we would endure dictatorship for about another 30 more years. The University’s design and scale makes no apologies for reflecting the Estado Novo rhetoric of total state control, like the Mussolini buildings at the EUR in Rome.

Furthermore, its construction razed to the ground a significant amount of the existing, charming and lovely vernacular city, while leaving the most important monuments alone. Le Corbusier’s plan for Paris was similar in concept – a concept which, ironically, was implemented here by the fascists. Unfortunately, a disregard for the cultural value of the traditional town as a cohesive whole was, and still is, part of the majority of the architectural profession’s code of conduct.

Back to the Architecture, one trait that is annoying about the Estado Novo Architecture in general is its pettiness. Take these buildings: they are enormous in scale, but its ceiling heights are low, and those plastic roller blinds – none befitting the dignity required, all seemingly telling you: you work in a big building, but you are small. To make it worse, they are right in the middle of the historic University palaces, which are magnificent and aptly scaled, so the meanness of design of 1942 is immediately apparent (not that we think low ceilings and plastic blinds have anything to do with most Architecture in the last 60 or so years).

In spite of all of the above, we think a lot of details are great in these buildings, especially in the hardware and lighting (can you tell by the recent entries?) and we are happier that they have some kind of classical order to them, as opposed to being a dysfunctional blob or social housing lookalike which would had likely been the choice du jour had the University been built today. The stonework is solid and not thin and hung from a concrete wall. The cornices extend, and protect the walls below, as they should.

And sometimes, just sometimes, if you forget where you are you could start to see a little deChirico in there. If only, like the EUR in Rome, it could have been built in a deserted place.


* original publicado no Blog Old Potuguese Stuff de Alexandre Gamelas e Catarina Santos.
http://oldportuguesestuff.com

13.3 - Comunidades saudáveis: um velho e novo conceito para o urbanismo


por José Baganha* e Rui Florentino


No decorrer das últimas décadas, registou-se uma grande evolução nos indicadores de saúde, fruto do desenvolvimento económico e da qualificação dos recursos humanos, bem como do investimento em equipamentos e tecnologias de saúde. No entanto, existem também hoje mais exigências, em especial perante doenças que decorrem da maior concentração e do aumento da população urbana, justificando o estudo da relação entre urbanismo e saúde pública.
O conceito de comunidades saudáveis encontra raízes na construção das primeiras cidades-jardim, que procuraram a criação de um ambiente urbano reformador da sociedade industrial de início do séc. XX. Recentemente, a leitura do “estado da arte” demonstra que o conceito de desenvolvimento sustentável colocou importantes desafios para as cidades, onde vive mais de metade da população mundial, sendo hoje consensual que a progressiva urbanização do território resultou em impactes significativos para a saúde da população. Contudo, as boas práticas identificadas, já em curso em alguns países, trazem um sinal de esperança e prova de que, apesar do crescimento das grandes áreas urbanas, existem modelos adequados à melhoria do ambiente e da saúde pública.
No contexto europeu, os exemplos recentes, que revelaram essa possibilidade de criação de ambientes urbanos saudáveis e a consequente melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, têm sido reconhecidos por organizações como a Prince’s Foundation for Building Community, a Fondation Philippe Rotthier pour l’Architecture ou o Council for European Urbanism, entre outras, constituindo alguns dos casos mais notáveis a regeneração urbana promovida pelo município de Plessis Robinson, na periferia de Paris, ou New Poundbury, em Dorchester, no sul do Reino Unido. Neste artigo apresentam-se estes 2 casos e procura-se aplicar o conceito de comunidades saudáveis, a partir do urbanismo, também com base nas actividades da Rede Internacional de Construção, Arquitectura e Urbanismo Tradicionais, um pouco por todo o mundo, enquanto projecto que a Associação INTBAU Portugal pretende desenvolver nos próximos anos.


* Presidente da Direcção da INTBAU Portugal

13.4 - Uma perspectiva comparada sobre a transformação morfológica de Allariz, Apúlia, Caminha e Tui


por David Viana* com base nas dissertações de Mestrado de Jorge Fernández, David Correia, Hélder Rodrigues e Silvia Rodríguez.


Introdução – Tendo como referência parte da investigação desenvolvida no âmbito da UC de Projeto-Dissertação do Mestrado Integrado em Arquitetura e Urbanismo da ESG/Escola Superior Gallaecia sobre morfologia urbana, o artigo desenvolve uma leitura crítica sobre a transformação da estrutura e evolução da forma urbana de Allariz, Apúlia, Caminha e Tui, principalmente a partir da segunda metade do século XX em diante. Constituem espaços urbanos de pequena escala da Galiza (Espanha – Allariz e Tui) e do Minho (Portugal – Caminha e Apúlia), que conheceram processos de urbanização que os reconfiguraram de modo relevante ao longo da segunda metade do século XX/início do atual.
Objetivos – A partir de constituintes-base comuns aos quatro casos de estudo – como por exemplo: a paisagem, a presença do elemento água (rio e/ou mar) e suas frentes de água; o património edificado, núcleos designados de “históricos”; alterações significativas nas estruturas produtivas e respetiva variação de atividades e usos do solo; atratividade comercial e/ou turística; introdução de infraestruturas e equipamentos; entre outras características – os objetivos são:
-Comparar, panoramicamente, aspetos da evolução morfológica dos quatro casos de estudo, essencialmente durante a segunda metade do século passado.
-Identificar de que modo a transformação da estrutura e organização dos quatro casos de estudo resultam de dinâmicas urbanas comuns a ambos os lados da fronteira entre Portugal e Espanha, nomeadamente, problemáticas demográficas, procura turística, terciarização de atividades, fragmentação de tecidos, dispersão habitacional, proliferação de dispositivos rodoviários, etc.
Metodologia – A metodologia assenta na recolha de informação de diversas fontes e tipos, enquadrando conceitos e processos, definindo escalas de abordagem, referências e fases de análise, estabelecendo os critérios necessários para o efeito. Neste sentido, a recolha documental contribui para a fundamentação da perspetiva crítica elencada na argumentação do paper, recorrendo a fontes literárias diversas, para além de fotografias, mapas de arquivo, ilustrações históricas, diagramas, etc.
Complementarmente, explora-se o redesenho cartográfico como método comparativo de análise.
Casos de estudo – A pesquisa aprofundada para a comunicação a apresentar no Congresso tem como casos de estudo Allariz e Tui, na Galiza (Espanha) e Caminha e Apúlia, no Minho (Portugal).
Conclusões – O artigo terminará determinando o resultado morfológico de ações e fenómenos urbanos transfronteiriços, sistematizando, para os casos de estudo, padrões de forma urbana que traduzem variações e permanências estruturantes para a condição atual de Allariz, Apúlia, Caminha e Tui. Neste processo, verificar-se-á a implementação de boas práticas de planeamento no ordenamento.
 
* Professor Auxiliar e Director do curso de Mestrado Integrado em Arquitectura e Urbanismo da Escola Superior Gallaecia.
 

domingo, 14 de dezembro de 2014

CASU 12 - Outono de 2014


Conforme indicado na última edição dos CASU, este número 12 é dedicado ao XVI Congresso Ibero-americano de Urbanismo, que a AUP organizou com o apoio da Câmara Municipal de Sintra. Nos primeiros dias de Outubro reuniram-se no Centro Cultural Olga Cadaval e em duas salas do contíguo Museu das Artes mais de duas centenas de profissionais, provenientes de quase todos os países ibero-americanos, para discutirem os 4 quatro tópicos do encontro, sob o tema geral: Sociedade e Território - novos desafios.
A sessão de abertura contou com a intervenção do Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia, Eng.º Jorge Moreira da Silva, antecedente da excelente conferência inaugural, proferida pelo Prof. Sidónio Pardal, que presidiu à Comissão Científica do Congresso. Dando o mote para os trabalhos, foram de seguida lembradas as personalidades de Eduardo García de Enterría e Manuel da Costa Lobo, que tanto influenciaram a formação das disciplinas de urbanismo e planeamento, desde a transição política para a democracia, em Espanha e Portugal.
O programa foi organizado em 3 conferências plenárias e 10 sessões paralelas onde se apresentaram cerca de 80 comunicações. A primeira conferência plenária teve a participação do Prof. Sílvio Macedo, que versou sobre a ocupação da orla brasileira, tendo como referência o projecto Orla, da Prof.ª Ingrid Roche, sobre o ordenamento do litoral sur-este uruguayo, com o resumo aqui incluído (12.4), e do Eng.º Rodrigo Sarmento Beires, relativa ao cerne das dinâmicas de gestão e valorização dos espaços rústicos - a propriedade e a exploração agro-florestal.
A segunda conferência plenária contou com a intervenção dos arquitectos Desiree Martinez e Álvaro Gómez-Ferrer, com os títulos de, respectivamente: "Paisajes urbano multifuncionales, un caminho hacia el nuevo paradigma urbano" e "Património y Paisaje - un encuentro privilegiado, una oportunidad potenciadora". Em complemento, o Prof. Mário Moutinho apresentou uma comunicação sobre o ensino e a prática profissional do urbanismo em Portugal e na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
Já no terceiro dia, a terceira conferência plenária teve a participação de Eduardo Rojas, sobre a conservação do património como um instrumento para o desenvolvimento urbano, e de Tiago Trigueiros, que apresentou o planos para o ordenamento do litoral de Sintra, com moderação de Ismael Fernández, presidente do Hábitat Professionals Fórum, que agrega várias associações internacionais nas áreas da Arquitectura, do Urbanismo e da Paisagem.
Houve também oportunidade para se assistir a uma mesa redonda sobre "cidades e sítios património mundial", dirigida pelo Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Dr. Basílio Horta, e a uma sessão especial dedicada ao ensino do urbanismo, que tive o prazer de moderar e onde participaram colegas de vários cursos, que em Portugal formam os possíveis futuros urbanistas. Por último, foi definida a localização da 17ª edição, que se propõem organizar os urbanistas peruanos, em Lima.
Para além da comunicação relativa ao sub-tema 1, Ordenamento do Litoral, completamos este número dos CASU com um exemplo de cada um dos outros 3 sub-temas do Congresso. O Presidente da Associação Espanhola de Técnicos Urbanistas, Dr. Sebastià Grau, apresentou uma comunicação sobre o Parque Natural de Collserola, em Barcelona, versando o sub-tema 2 (Valorização dos Espaços Agrícolas e Florestais), e as Arquitectas Ana Baptista e Rita Monfort apresentaram trabalhos de investigação nos âmbitos dos sub-temas 3 e 4 (Património e Paisagem e Conceitos Inovadores para o Urbanismo), respectivamente "Aldeia sem Sociedade" e "Pequeñas actuaciones para un urbanismo flexible e sostenible".
Boas leituras, um Feliz Natal e próspero 2015!

12.1 - Aldeia sem Sociedade


por Ana Baptista *


No âmbito do trabalho a ser desenvolvido para tese de doutoramento na Universidade de Sevilha, em cooperação com a Escola Universitária das Artes de Coimbra, com o título “O caso das aldeias serranas – importância e limites destas unidades sociais e patrimoniais na sustentabilidade do território”, pretende-se apresentar neste Congresso uma reflexão teórica sob o tema: Aldeia sem sociedade.
As transformações verificadas nos meios rurais, que enquadradas no ambiente europeu foram em Portugal bastante tardias, bem como a crise que os atravessa, a perda das suas actividades agrícolas, o despovoamento e os desafios que enfrentam configuram um cenário de mudança identitária desses lugares.
Perante este facto, pretende-se reflectir sobre o que tem sido a “descoberta” (recente) deste património edificado. Como caso de estudo são analisadas as Aldeias de Xisto, assim designadas administrativamente, situadas na região centro (Beira), como possível instrumento, recurso de sustentabilidade e motor para o desenvolvimento destas áreas.
Assumindo que a valorização dos lugares e da sua memória, a potencialização de recursos, de culturas e actividades, assim como a divulgação de espaços esquecidos, cuja marca perdura no território, poderá ser uma forma de acção em contextos sócio – económicos deprimidos, particularmente em comunidades rurais fragilizadas, fortemente despovoadas e com dificuldades de afirmação como estas, a questão que se coloca é a de saber até que ponto (em alguns casos), este património tem vindo a ganhar uma dimensão retórica, folclórica e muitas vezes encenada, a pretexto de uma estratégia de desenvolvimento e promoção local, promovendo muitas vezes símbolos de singularidade, (de uma sociedade que lhes deu origem, mas que seguramente já não existe) utilizando-os apenas como atracções paisagísticas, gastronómicas ou arquitectónicas.
 
 
* Arquitecta.
 

12.2 - Los espacios naturales protegidos y las actividades produtivas en su territorio. El caso del Parque Natural de Collserola, Área Metropolitana de Barcelona


por Marià Marti * y Sebastià Grau **


El Parque Natural de la Sierra de Collserola, con sus 83 Km 2 (8.300 ha.) de espacio natural protegido es el proyecto metropolitano de mayor envergadura territorial. Fue creado en  el año 1987 y en la actualidad el 36% de su superficie es propiedad pública.
Su gestión viable implica la participación de otros actores además de la administración, por ello es necesario incluir la iniciativa privada  para lograr una gestión compartida. Es primordial la  introducción de elementos de economía productiva en el territorio, sin que dañen o comprometan los valores ambientales. En este sentido se ha aprobado un Plan Agropecuario para fomentar las actividades agrícolas, ganaderas y forestales.
Más allá de estas actividades, que adquieren una dimensión esencial, las actividades de ocio, actividades turísticas, de investigación, de integración social, etc., pueden ser una alternativa idónea para la gestión y el control del territorio.
El patrimonio construido, que por falta de uso sufre un grave deterioro con el paso del tiempo, puede revertir esa situación, adaptándolo para uso residencial y, acogiendo nuevas actividades como es la hotelera de tipo “casa rural”, muy integrada con el medio, con la consiguiente obligación de gestionar el entorno territorial, obligando a actuar sobre el bosque y a producir agricultura.
Otra dimensión que puede encajar muy bien en un espacio natural periurbano es el emplazamiento de centros de educación, investigación, geriátricos, de acogida de colectivos en riesgo de exclusión, de rehabilitación, de inserción, de trabajo especial, etc., que además pueden realizar actividades sobre el territorio, lo cual significa cuidado y gestión.
Con todas estas actividades que generan empleo y riqueza, se produce un efecto inducido que es la gestión compartida del territorio por parte de los propios agentes privados/públicos insertados en él. Aunque no produce un aporte financiero directo al órgano gestor, si reduce la gestión que debería recaer sobre el organismo público que tutela el espacio, algo totalmente inasumible, y por lo tanto, el mantenimiento de ese espacio natural de uso público, resulta más viable y menos gravoso.


* Parque Natural de Collserola
** Área Metropolitana de Barcelona

12.3 - Pequeñas actuaciones para un urbanismo flexible y sostenible

 
por Rita Monfort Salvador *


Las ciudades se deben adaptar a las nuevas necesidades de sus habitantes, cambiar usos y modificar su espacio público, siendo lo más lo más sostenibles posible,  para cumplir con su cometido: el acoger a los ciudadanos y ser su hogar. Pero que deban cambiar no significa que tengan que renovarse por completo. En la mayoría de ocasiones solo se necesitan pequeños cambios, que respeten la ciudad y sus barrios, y, sobre todo, que respeten la cultura de sus ciudadanos, sus espacios, sus costumbres, su contexto.
Este estudio forma parte de uno más amplio sobre la transformación de barrios consolidados en más sostenibles, en el que también se estudiaron los indicadores necesarios. Uno de los objetivos fue obtener una serie de actuaciones sensibles con el barrio y sus ciudadanos, fáciles de implantar y que mejoren la calidad de vida de los ciudadanos, a la vez que ayudan a cumplir el objetivo de transformar el barrio hacia la sostenibilidad.
En la metodología de trabajo se han estudiado barrios consolidados de las ciudades españolas (escala donde se pueden implantar actuaciones sin necesidad de hacerlo en toda la ciudad). Se estudiaron los principales problemas, oportunidades y posibles mejoras que tienen estos barrios.
Se obtuvieron y desarrollaron 14 actuaciones fáciles de implantar,  respetuosas con el barrio y económicas. Estas actuaciones pretenden ser un listado de progresos a realizar en los barrios con el fin de que puedan ser lo más consecuentes posible con el significado global de sostenibilidad, pero también con el fin de mejorar la vida de las personas que viven en las ciudades. Son 14 actuaciones reales para llevar a cabo fácilmente, que actúan en respuesta a los problemas y carencias de cada barrio consolidado, y una base a tener en cuenta a la hora de proyectar un barrio de nueva planta.
Por último, se ejecutaron una serie de tablas en las que se recogía a que problemas, mejoras u oportunidades afectaban las actuaciones. También se recogía que indicadores modificaban positivamente cada una de las actuaciones.

 
* Arquitecta. Ciudad Observatorio.

12.4 - La ordenación del litoral sur-este uruguayo

por Ingrid Roche *


El propósito de este artículo es exponer a miradas conceptualmente críticas, los criterios, directrices y el instrumental contemporáneo y en gestación, para ordenar y proyectar el territorio litoral Sureste asomado al Río de la Plata y Océano Atlántico. El objetivo: analizar la congruencia de la legislación y políticas territoriales recientes, con la preservación y valorización para las generaciones futuras, de sus atributos naturales y los paisajes culturales creados, en el sentido de equilibrar los intereses de pobladores locales, visitantes y del conjunto social.
Las áreas y asentamientos costeros del Sureste del territorio uruguayo, por sus atractivos geo-históricos y singularidades, han concentrado desde su reconocimiento como país la mitad de su escasa población , hoy cercana a 3 millones y medio de habitantes. Resulta interesante comprender que su vocación turística receptora fue entrevista y promovida oficialmente desde muy temprano del siglo XX, en modalidades incluyentes de los grupos sociales de ingresos medios de las urbes rioplatenses. Actualmente los visitantes no residentes (de vacaciones y otros tipos de estadías), llegan en números fluctuantes al millón anual, muchos extranjeros especialmente regionales, invierten en el país en propiedades y servicios al sector turístico y empieza a ser significativa la radicación en forma estable de sus familias. Se ha acuñado el concepto de que la costa sur uruguaya tiende a constituirse en sector de residencia privilegiado del Cono sur.
Los diversos tramos de este litoral costero son apreciados por sus playas de arena muy fina, puntas rocosas de alto valor paisajístico, abundantes cursos de agua y la valoración que históricamente le han otorgado sus habitantes estables y ocasionales, creando paisajes culturales singulares. Contradictoriamente poseen alto potencial de modificación en futuro cercano, dado que alternan: áreas densamente urbanizadas, en Montevideo y Punta del Este, suburbanizadas u ocupadas en muy baja intensidad en fraccionamientos de barrios jardín, extensos tramos en estado de baja antropización por inaccesibilidad, ecosistemas lagunares u otras características naturales y ocupación rural, con variados valores de identidad morfológica y vulnerabilidades. Las tendencias a su ocupación residencial-turística y por instalaciones logísticas se están intensificando, las experiencias internacionales a ser recogidas críticamente indican, que es recomendable potenciar las características diferenciales, alternando áreas rústicas en producción y/o ambientalmente protegidas, adoptando políticas que impidan la urbanización continua y la masificación en la explotación de  recursos escasos.  Se plantea exponer algunos casos de aplicación de la recientemente aprobada legislación de Ordenamiento Territorial y Desarrollo Sustentable, su normativa y efectivización, el desarrollo de planes y diversos instrumentos, que por su novedad permiten entrever posibilidades de potenciar valores paisajísticos e identidades, y promover aportes.


* Profesora del Instituto de Teoría de la Arquitectura y Urbanismo (ITU), Facultad de Arquitectura, UDELAR, Uruguay.

sábado, 30 de agosto de 2014

CASU 11 - Verão de 2014


Um novo desafio profissional veio neste Verão juntar mais um logotipo às páginas dos CASU's. O leitor destes Cadernos (personagem fictícia que só existe na cabeça do editor) terá dado conta disso: é a Escola Superior Gallaecia, em Vila Nova de Cerveira, onde irei dar aulas a partir de Setembro. Quando iniciámos este blogue, de facto inspirados no do Professor José Fariña (http://elblogdefarina.blogspot.pt/), confesso, para os menos atentos, estávamos longe de imaginar que entretanto tantas coisas mudassem... Mas é isso mesmo, fomo-nos habituando à mudança.
Nesta estação das férias é quando temos tempo para ler o Expresso, não as edições da época, mas as antigas que guardei por qualquer razão. Folheia-se mais rapidamente, e dá-se conta que tudo é bem mais relativo, por exemplo os problemas do grupo Espírito Santo apareciam já no princípio do ano... E neste Verão fiz essa tarefa, depois de muitos anos, já não tenho Expressos em casa. Mas aproveitei para aqui um artigo interessante que retive, de um economista, Ricardo Hausmann, que nos mostra aos urbanistas o "mito da especialização das cidades". Seria bom tê-lo lido em 2009, quando nos estudos de economia para a alteração ao Plano da Área Metropolitana de Lisboa me pediam para traçar os sectores económicos em que a região deveria apostar. Pois bem, algo que já intuía naquela altura: as cidades não se devem especializar, quanto mais diversificadas economicamente mais competitivas, e essa diversidade deve ser o estímulo das opções territoriais.
Nos outros três temas dos CASU's inserimos textos que nos dizem muito enquanto arquitecto urbanista e são importantes para esta nova etapa docente de um curso na fronteira do Minho. Um pequeno livro de desenhos de León Krier, que em mais de 3 décadas de esquissos a preto e branco nos permite tirar tantas conclusões sobre espaços e cidades, imagens que comunicam ideias que nos estão muito próximas e vamos promover, também enquanto fundadores do "capítulo" português da INTBAU. Por sua vez na etiqueta Espaço Público, das melhores linhas alguma vez escritas em enunciados de disciplinas, a de Teoria Geral da Organização do Espaço, do 1º ano da FAUP, claro está, do saudoso mestre Fernando Távora: "Aos alunos, portanto, um pedido de dedicada colaboração acompanhado da esperança de um mundo mais belo e mais feliz." E por último um excerto do Complexity and Contradiction in Architecture, de Robert Venturi, que muito nos influenciou já na parte final do curso, que termina com esta frase: "Más no es menos." Parece estranho, sim, mas em arquitectura, no ensino da arquitectura, é preciso dizê-lo.
Nesta 11ª edição, o leitor dispõe ainda da novidade de poder mais facilmente encontrar os diferentes mini-artigos dentro dos 4 temas dos CASU's, no menu em cima.
Já no início do Outono, participamos activamente em duas conferências. Vamos moderar uma das sessões do 3º seminário de Territórios e Cidades do Norte Atlântico Ibérico, 25 e 26 de Setembro, organização da Escola Superior Gallaecia e da Câmara Municipal de Viana do Castelo, que aproveito para aqui divulgar. E na semana seguinte lá estaremos a receber mais de uma centena de colegas, no XVI Congresso Iberoamericano de Urbanismo, Sintra 2014. Este grande evento internacional, que terá a participação de urbanistas de praticamente todos os países ibero-americanos (se puderem não faltem, será mesmo bom, acreditem), servirá então para um segundo número especial destes Cadernos.


sexta-feira, 22 de agosto de 2014

11.1 - Complejidad y Contradicción en la Arquitectura

por Robert Venturi

...Pero la arquitectura es necesariamente compleja y contradictoria por el hecho de incluir los tradicionales elementos vitruvianos de comodidad, solidez y beleza. Y hoy las necesidades de programa, estructura, equipo mecánico y expresión, incluso en edificios aislados en contextos simples, son diferentes y conflictivas de una manera antes inimaginable. La dimensión y escala creciente de la arquitectura en los planeamentos urbanos y regionales aumentan las dificultades. Doy la bienvenida a los problemas y exploto las incertidumbres. Al aceptar la contradicción y la complejidad, defendo tanto la vitalidad como la validez.

Los arquitectos no pueden permitir que sean intimidados por el lenguaje puritano moral de la arquitectura moderna. Prefiero los elementos híbridos a los "puros", los comprometidos a los "limpios", los distorcionados a los "rectos", los ambíguos a los "articulados", los tergiversados que a la vez son impersonales, a los aburridos que a la vez son "interessantes", los convencionales a los "diseñados", los integradores a los "excluyentes", los redundantes a los sencillos, los reminiscentes que a la vez son innovadores, los irregulares y equívocos a los directos y claros. Defiendo la vitalidade confusa frente a la unidad transparente. Acepto la falta de lógica y proclamo la dualidad.

Defiendo la riqueza de significados en vez de la claridad de significados; la función implícita a la vez que la explícita. Prefiro "esto y lo outro" a "o esto o el outro", el blanco y el negro, y algunas veces el gris, al negro o al blanco. Una arquitectura válida evoca mucho niveles de significados y se centra en muchos puntos: su espácio y sus elementos se leen y funcionan de varias maneras a la vez.

Pero una arquitectura de la complejidad y la contradicción tiene que servir especialmente al conjunto; su verdad debe estar en su totalidad o en sus implicaciones. Debe incorporar la unidad difícil de la inclusión en vez de la unidad fácil de la exclusión. Más no es menos.


Traducción publicada en Gustavo Gili, del original de 1966.

11.2 - Teoria Geral da Organização do Espaço

por Fernando Távora


...O arquitecto..., para ele, porém, projectar, planear, desenhar, devem significar apenas encontrar a forma justa, a forma correcta, a forma que realiza com eficiência e beleza a síntese entre o necessário e possível, tendo em atenção que essa forma vai ter uma vida, vai constituir circunstância.

Sendo assim, projectar, planear, desenhar, não deverão traduzir-se para o arquitecto na criação de formas vazias de sentido, impostas por capricho da moda ou por capricho de qualquer outra natureza.

As formas que ele criará deverão resultar, antes, de um equilíbrio sábio entre a sua visão pessoal e a circunstância que o envolve e para tanto deverá ele conhecê-la intensamente, tão intensamente que conhecer e ser se confundem...

A cadeira de Teoria Geral da Organização do Espaço pretende, pelo seu programa teórico e sua aplicação prática, introduzir os alunos em matérias de carácter geral - mas fundamental - relativas ao espaço natural e humano que nos envolve considerado como efeito e causa do nosso comportamento.

A prática da cadeira, cujo programa se anuncia, reveste-se de especial interesse uma vez que por meio dela se analisam e se compreendem fenómenos próximos e do nosso dia a dia, nos quais participamos como actores e como utentes.

Aos alunos, portanto, um pedido de dedicada colaboração acompanhado da esperança de um mundo mais belo e mais feliz.


11.3 - Drawing for Architecture

por Léon Krier


In addition to my architectural and urban projects, I produce a great number of doodles, ideograms that are the subject of this volume. They are not a natural occupation: they only come to me in discontinous, short, and generally angry bursts. They often sum up in one or two images what I had been previously trying to articulate in projects, writings, or speech. The first of such outbreaks came in 1980 after a protracted writing sweat, when in a few days I summarized two hundred pages of texto in approximately the same number of ideograms. These have mostly stringent undertone; they are, in fact, counterattacks against endured aggresions, absurdities, and paradoxes, with which life is so richly endowed.

Raw and whithout circumlocution, these ideograms are means not to console or please but reveal scandalous elements of architectural practices and ideology; they outline conceptual tools for refounding traditional urbanism and architecture. It is well known that actions cause reactions mostly of an unexpected or unintended kind. What will win as the end of human activities, of fulfilled or frustrated lives? The good or the bad, the right or the wrong, the intelligent or the stupid? Evidently neither human or artificial intelligence gains notable insight into ultimate issues. We can, however, no longer ignore that in matters of settlement, building, and energy policies, industrial civilization is engaged in a tragic impasse. We now generally build in the wrong places, in the wrong patterns, materials, types, densities, and heights, and for the wrong numeber of dwelleres.

In my opinion, the traditional architecture and building and settlement tecnhiques of the pre-fossil fuel age represent the operative tools of global ecological reconstruction. It is the condition of nature that will, as in the past, redefine our development possibilities. These doodles may help to point our thinking in that direction.



Book from the Writing Architecture Series, The MIT Press, Cambridge, Massachusetts ,and London, England, 2009.